quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A escola que temos

A escola tem recebido particular interesse das políticas públicas como estratégia de consolidação da lógica social. No interior da perspectiva neoliberal o mercado de trabalho está atrelado ao mundo da educação, e isso faz com que esse mercado defina habilidades de conhecimento, atitudes e valores, visando a qualidade que lhe interessa.

As teorias da administração, então, passam a fundamentar as práticas e os princípios educativos, invertendo a relação teoria-prática dos sujeitos que constroem o dia-a-dia da escola, a saber, seus professores. Artimanhas discursivas penetram no imaginário dos sujeitos, que passam a pensar e agir em conformidade com o imaginário produzido. Assim, no jogo entre integrar-se à ordem social e lutar pela sua transformação, as concepções desenvolvem importante papel, orientando a relação entre os indivíduos e suas ações que, por meio de acordos, se legitimam. Porém, pelo consenso se revelam as contradições entre ideia e realidade, o que faz também emergir resistências, oposições e alternativas.

Obstáculos da estrutura social, políticas educacionais e realidade cultural amargam o amadurecimento e fortalecimento da escola, apesar da riqueza das diversas teorias elaboradas no campo da educação. Teorias que são muitas vezes renegadas e, na visão mais utilitarista possível, nada acrescentam aos que a elas resistem e que delas tomam distância. Assim, a escola ainda é uma instituição sobre a qual se precisa escrever muito, refletir e debater incansavelmente, na perspectiva de reinventá-la.

Diante dos problemas estruturais aos quais o sistema educacional enfrenta, que não são poucos, e a amálgama institucionalizada no interior da escola pública, no que diz respeito aos princípios educativos e pedagógicos, a realidade que transparece é que a escola que temos hoje não está sendo eficiente nem para alunos, nem para profissionais que nela ou por ela atuam, nem para a sociedade...

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